sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lloret de Merda

Sei que já vim abordar este assunto um bocado fora de horas, já tarde... Devia ter falado nisto durante as férias da Páscoa. Porém, só hoje me lembrei... Vamos falar de Lloret del (ou de) Mar. Que é como quem diz, generalizar e pôr dentro do mesmo saco outros destinos semelhantes, entre os quais toda a costa castelhana e catalã - e por vezes também se incluem as Baleares.

Pessoalmente, nunca fui adepta de viagens de finalistas. Sempre detestei esses elitismos escolares que metiam grandes grupos de jovens aparentemente normais e previsíveis em viagem. Sempre estive ciente que nunca precisei de uma marcação territorial no país vizinho para me sobressair ou afirmar. Praia e boates? Já me basta viver no Algarve! Que ideia tão pouco original. A diferença é que a malta prefere fazer merda para bandas alheias, onde passam desconhecidos (mas nada despercebidos). Eu cá prefiro fazer a merda in loco. Merda por merda, mais vale assumi-la.

90% dessas viagens ditas inesquecíveis e marcantes servem para: a) experienciar alcool e narcóticos à-vontade e à-vontadinha; b) perder a virgindade, or die trying; c) tirar partido do expoente da juventude numa rebelião recreativa em contexto extra-curricular.

Realmente, não me consigo imaginar a dar dinheiro do meu bolso para continuar a aturar a minha turma em tempo de férias... A minha turma e não sei quantas mil outras que supostamente quereriam confraternizar, conviver, socializar...

E claro, os jovens bebem uns copos e libertam os rebeldes "Geração Morangada" que há dentro deles e acontecem coisas. Atiram-se das varandas, violam raparigas, entram em coma alcoólico antes da meia-noite por tentarem equiparar o absinto à cerveja, vandalizam toda a unidade hoteleira onde pernoitam, vomitam as casas-de-banho de todas as discotecas por onde passam, telefonam aos pais para depositarem mais dinheiro na sua conta, ou simplesmente para os irem buscar quando os amigos estão todos wasted...

Quando voltam de Lloret (Lorê?!Lorete?Wtf?!), até choram de comoção, emocionados pelas noites de forrobodó que vivenciaram num curto período da sua adolescência, mostrando fotografias das bebedeiras (todas as raparigas de língua de fora toda escurecida para mostrar que aviam vodka preta, e os rapazolas armados em garanhões agarrados ao peixe que à rede lhes vier), afirmando que foi algo inesquecível e fabuloso. Começa a gabarolice afixada nos nicks do Messenger, e o mais clássico deles todos é sem dúvida um épico número de três algarismos, que corresponde ao número do quarto ou suite onde ficaram alojados durante a inesquecível coboiada que foi a viagem de finalistas. Curiosamente, muitos deles acabaram por ficar retidos, o que por um lado pode ser giro pois, assim sendo, para o ano há mais uma viagem de finalistas.

Posso ter sido um pouco cruel mas sempre gozei um bocado com as viagens de finalistas. Nunca me consegui identificar minimamente com o espírito. Lamento muito se feri susceptibilidades e já sei que se choverem comentários, serão negativos e espezinhar-me-ão, alegando que só embirro porque não fui. Mas pensem por este prisma: só não fui porque embirro.

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