sábado, 12 de janeiro de 2013

Lip Lament

Sempre tive uma espécie de complexo com os meus lábios, por não serem volumosos e carnudos. Tenho uns lábios que mais pareço o Lou Reed. Lábios carnudos remetem para uma simbologia sensual e apelativa. Claro que não estou para enfiar silicone nos beiços porque será pior a emenda que o soneto, de tão artificial que ficará o efeito. Porém, tenho investigado meios de avantajar os meus lábios. O colagénio é um ponto por explorar. Depois, há sempre um truque ou outro ao pintar os lábios. E de manhã, curiosamente, acordo com os lábios al dente, provavelmente mais inchados depois do sono... mas também mais bonitos. Mas o efeito não dura para o resto do dia! Enfim, não estou a dizer que quero ter uns lábios iguais aos da Angelina Jolie mas podiam ser menos delgados...



Claro que há exemplos de celebridades bastante únicas e carismáticas esteticamente em parte devido aos seus lábios fininhos, como é o caso da über cool Chloë Sevigny, que eu venero... Entre outras... Maria João Bastos, por exemplo. Claro que o que está estereotipado pelos padrões de beleza - padrões esses pelos quais nenhum(a) de nós se deveria deixar influenciar - é, sem dúvida, uns belos lábios com polpa!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Old habits die hard

Voltei a recorrer ao furto em grandes superfícies e mais uma vez, não me arrependo. Desta vez, acreditem ou não, roubei PÃO, imagine-se. Era um pão qualquer que custava quase 3 euros, semi-integral, muito mole e macio. Transferi-o para outro saco e pus na mala. Chegou a casa todo deformado porque lhe pus as compras (sim, também fiz compras - queijo camembert panado, champô, cogumelos laminados) em cima. Que imbecil!

Ao roubar, já na caixa, senti aquele formigueiro que as pessoas sentem antes de atingirem o clímax sexual. Aquela sensação que liga a cabeça ao coração e ao corpo todo. Ficamos comprometidos e temos que disfarçar. Há câmaras de vigilância por todo o lado e seguranças a rondarem todas as alas, até a secção dos frescos. Claro que isso não deve ser mais que dopamina, adrenalina, ou qualquer outra coisa libertada e acabada em "ina".
O alívio vem depois. Passar no teste. Como se fosse um nível, um boss da Nintendo, um exame.

Também tenho outra mania, para além de roubar: comer coisas in loco. Agarro um chocolate, ou gelado, ou fruta, ou iogurte, e começo a comer/beber dentro do supermercado. Supostamente, vou pagar aquilo na caixa. Mas deixo os restos a um canto, numa prateleira noutra secção. Hoje foi uma embalagem de donuts. Só consegui comer um, o resto deixei lá. E atenção que isto já vem de longe: quando era pequenina, o meu pai levou-me ao supermercado e deram por mim escondida a comer uns palitos de chocolate. Claro que o meu pai passou uma vergonha por minha causa e lá teve de pagar pelo que comi. E durante os tempos da Secundária, também ia com uma amiga munida com colheres só para nos deliciarmos com Carte D'Or e outras iguarias.

Fome Nocturna (não, este post não tem nada a ver com vampiredo, Chupa-Cabras ou qualquer outra facção de bloodsuckers)

Muitos de nós têm por hábito acabar a noite, não na cama, não no lancil da rua a vomitar, não num qualquer after manhoso... mas sim a fazer fila para comprar qualquer coisa para comer, esperando (im)pacientemente pela nossa vez, enquanto os sucos gástricos nos revolvem as entranhas com roncos e urros.

A maior parte dos bares fecha por volta das 2am, e outros pelas 4am... sempre há o que está aberto até mais tarde mas aí a caça ao alimento escasseia, e torna-se também mais desafiante.

Recordo sempre 50% das minhas noites acabadas numa qualquer casa de pasto, numa barraquinha ou roulotte com comida rápida, numa casa de kebabs dos indianos... consoante o apetite e o grau de carência alimentar.

A melhor coisa depois de bebermos muito, tendo vomitado ou não, é ir comer um snack. Há uns anos existiam aquelas bancas estacionadas no centro histórico, pelo menos no Verão. Vendiam crepes com todos os toppings possíveis e imaginários, e cachorros quentes, e cachorros quentes topo de gama! Aquilo eram coisa de categoria. Eram os melhores hot dogs do mundo. Não sei se achava isso por estar cheia de fome e com o estômago e a bílis ressentidos, ou se no frio fresco da noite todo o paladar me era tragável e gratificante, mas o facto é que nunca mais provei iguaria que atingisse o mesmo nível. Cachorros quentes colossais, com batata palha, maionese, ketchup, mostarda, cogumelos, cebola, tomate... e eu adoro exagerar nessas coisas, se fosse preciso chegava a casa e ainda guarnecia a salsicha com fatias de queijo.

Eu ia sempre lá com a Cláudia, minha camarada, pois ambas padecemos de fome intensa aquando do fim da noite, saídas de uma qualquer boate em busca de cheiro a cozinhados pelas ruas e ruelas, como que esfomeadas da Pré-História. Claro que se ainda estivermos embriagadas, comer não resulta tão bem, temos de esperar que a bebedeira passe, para a fome estar no auge, e para apreciar tudo melhor, inclusive não deixar que a parte do cérebro que nos diz se estamos cheias se não, que nessa altura está desligado, nos deixe comer um atrás doutro.

A Cláudia, por sua vez, pedia, não um cachorro quente, mas uma "cadela", tudo menos a salsicha. Curioso.
Houve até uma vez, memorável por sinal, na qual, enquanto esperávamos para ser atendidas no spot da cachorrada quente, eu comecei a dar cotoveladas à Cláudia, para a fazer reparar nos dois gajos que estavam à nossa frente, na fila. Ela, sem se aperceber quem eram, bradou: "Epá, mas o que é que tem estes gajos?!". "Estes gajos" eram o Tim e o João Cabeleira dos Xutos & Pontapés, que também aguardavam pelo ritual do enfardanço. Acabámos por trocar umas palavras, e eles ainda nos convidaram para ir, passo a citar, "à Meia-Praia, fumar umas brocas". Não fomos, claro está, mas ainda hoje me rio, imaginando os dois a empaturrarem-se no meio das dunas, com o charro numa mão e o cachorro na outra.

Bem, fugi ao tópico, divaguei e perdi-me. Onde é que eu ia?... Ah. A fome nocturna. O apetite dos boémios e noctívagos. Pois bem, essas barraquinhas milagrosas deixaram de existir, talvez por falta de licenças, ou falta de clientes, ou falta de paciência de alguém para lá estar a aturar bêbados esfomeados all night long - compreensível. Tentei consolar-me com a ideia de que aquilo nem condições de higiene, asseio ou saneamento básico tinha (sempre me perguntei onde iam os gajos mijar, e onde depois lavariam as mãos... antes de servir o freguês; eventualmente deixei de pensar nisso para não correr o risco de perder o apetite) mas todos os Sábados à noite dávamos por nós saudosas e tristes por já não existirem vendedores de hot dogs e crepes. Umas vezes dava-me para o doce e comia um crepe, que era quase 5 euros. O hot dog era 3 euros, enchia bem o bucho, por mais varada de fome que estivesse, valia muito a pena, isto no caso de me apetecer algo salgado.

Hoje em dia só nos restam as casas (duvidosas) de kebabs, geralmente gerenciadas por indianos, paquistaneses, turcos, enfim, monhés, todos sempre muito solícitos.
Há coisa melhor que um kebab cheio de molho de alho, depois de uma grande bebedeira de whisky, em que o estômago está tão vazio que já não entra mais nada sem ser comida?
Não recomendo o molho picante, porque é pior a emenda que o soneto.
Mesmo assim, um kebab com bebida sai caro, é praticamente 5 euros... mil escudos! Era escusado esse abuso. Mas o prazer é infalível... Eu chegava a salivar só de observar a carne a rodar no espeto. Aquele calor, aquele conforto para o bucho, estarmos num lugar quente, mesmo que com luz de cozinha, à espera de enfardar, é uma sensação única. Ah, e lá também vendem pizza, embora não se comparem às especialidades do italiano.

Sim, havia um italiano que vendia até às tantas, mas desde que foi assaltado (apanharam o ladrão a comer lá dentro, depois de ter roubado o dinheiro da caixa, de tão idiota!) que nunca mais reabriram o estabelecimento, La Foccacia, de seu nome.

Há também uma casa de pasto que serve bifanas e bivalves, entre outros petiscos, até hora tardia. Nunca me aventurei por lá mas eu e a Cláudia chegámos a rondar a área, a ver se o bicho pegava.

Quando já é tarde demais, só nos resta a alternativa DIY, que é voltar para casa e fazer uma tosta, sandes, comer restos, enfim, um iogurtinho, suminho, por aí... Nada que se compare a um mega cachorro quente, claro está, ou a um kebab cheio de couve roxa desfiada, cebola, tomate e aquele pão pita acabadinho de sair do forno.
O cheiro a comida no frio da noite é das melhores coisas do mundo. 

Bem... Fritos é que não aconselho, que o fígado nem sempre está em condições de processar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Isto só visto


Epá só Deus sabe o que eu me rio com esta música... Foda-se... A quantidade de nomes eslavos ditos sistematicamente dá-me incontroláveis ataques de riso!!!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Leituras Recentes


1. The Great Gatsby | F. Scott Fitzgerald - Envergonho-me de não ter lido este grande clássico muito antes. Decidi lê-lo antes que estreasse a versão cinematográfica, que é só lá para Março. A narrativa deslumbrou-me do princípio ao fim, tendo em conta que sou obcecada pelos anos 20 e seus luxos, e também pelo Sonho Americano. Todo aquele ambiente de festas, riqueza, caprichos, excessos, jazz e histórias de amor cruzadas culminando inevitavelmente em tragédia, fizeram-me visualizar toda uma riqueza estética a todos os níveis.

2. O Jogador | Fiódor Dostoievski - Magistral! Li-o em duas noites e apreciei euforicamente cada parágrafo. É uma obra densa, e com aprofundadas descrições detalhadas, e com a temática do jogo e da respectiva perdição e vício. Um regalo literário, absolutamente viciante. Vale muito a pena, tive muito prazer ao lê-lo, ri-me variadas vezes sozinha. Tal como no The Great Gatsby, é engraçado ver o quanto o dinheiro move as pessoas. Obras verdadeiramente intemporais e que se adaptam inteiramente às sociedades contemporâneas.

3. The Bell Jar | Sylvia Plath - Identifiquei-me muito com o que li, o que neste caso não é bom sinal. Esta obra foi bastante intimista, diria eu, uma vez que o historial clínico da autora vem à tona, mas por palavras supostamente saídas de uma tal Esther Greenwood. Até agora, ainda só tinha lido poemas da Plath, porém, o registo narrativo agradou-me mais. É um sombrio retrato de depressão instalada numa instabilidade emocional que ainda assim, descreve tudo o que a rodeia de uma forma genial e invejável.

4. Ecstasy | Irvine Welsh - Depois de ter lido Trainspotting, do mesmo autor, decidi que tinha de me obrigar a ler, se possível, tudo o que ele publicou até hoje. Infelizmente, a biblioteca municipal é algo limitada e só requisitei este. Gosto muito da maneira complexa e, ao mesmo tempo, simples, do Irvine escrever. Demorei mais tempo a ler este livro que os outros, pois era bem maior, e tinha imensas histórias cruzadas e intercaladas entre si, mas todas dentro do mesmo assunto: alienação, amor, drogas. As experiências psicadélicas estão muito bem retratadas. Gostei particularmente da personagem do apresentador necrófilo, que angariava fundos para o hospital para onde depois iria para ter sexo com os cadáveres na morgue, subornando os médicos e vigilantes. Ecstasy: Three Tales of Chemical Romance são quase 300 páginas de puro êxtase, portanto.

5. Viagem ao Mundo da Droga | Charles Duchaussois - Levei imenso tempo a lê-lo. Porém, valeu a pena.  Não confundir com Os Filhos da Droga - este é bem melhor. É literalmente uma viagem ao universo decrépito, sórdido e grotesco dos narcóticos, entre os anos 60 e 70, e auto-biográfico, sendo a experiência pessoal do próprio Charles. Muito cru mas deveras inebriante, explora também o narcotráfico, o choque cultural no Médio e Extremo Oriente, tudo com uma pitada de decadência, degradação humana e wanderlust qb. Bastante descritivo, nem sei como é que o gajo sobreviveu a tantos excessos de substâncias tão nefastas e em ambientes que considero hostis, a menos que o caro leitor seja um hippie porco e em constante trip que nem se importe já com condições de saneamento básico...