Uma
vez, durante o concerto dos Zero 7 no Sudoeste em 2006... Como me recusei a
sair da primeira fila, onde esperei pelos Xutos das oito da noite até à uma da
manhã, guardando preciosamente o meu lugar, vi-me necessitada de trocar de
tampão. Dito e feito! Estava em calções, alcei a perna e mudei o tampão in loco, arriscando-me a ser vista por qualquer um que me rodeasse
naquele momento. Felizmente, correu tudo bem.
As casas-de-banho portáteis estavam bloqueadas com cagalhões de calibre colossal, portanto, é favor compreenderem o meu desespero.
Lembro-me
das latrinas da escola primária. Um nojo. Sanita mesmo, só havia uma e estava
sempre empapada e obstruída com paposecos, lixo e afins. Lanches desperdiçados,
uma vergonha. Tudo entupido. Para não falar que o lavatório parecia uma manjedoura e tresandava a esgoto. Com aquele panorama até o meu intestino grosso
ficava entupido. Traumático.
Recordo
também a vez (mais recente, esta façanha) em que me vi à rasca por uma mija,
isto no meio da rua, a altas horas da noite, num qualquer beco em Lagos... À
falta de melhor, resolvi infiltrar-me num prédio algures ali perto... As
escadas eram convidativas, a modos que me pus de cócoras e urinei, sem hesitar.
Escusado será dizer que a piela era monstruosa. Naquela posição grotesca e
primitiva, aliviei-me. Porém, quase adivinhando o que o karma me
reservava, pensei inocentemente "ainda caio aqui um porradão"... E o
facto é que mal acabei o servicinho, zás! Escorreguei no mijo e espatifei-me
pelas escadas abaixo, violentando membros inferiores e superiores. A queda foi
bárbara! Irónica também. Pensei que tinha partido um braço... Mas afinal fodi
foi o tendão do antebraço... Que ainda hoje me dói, aquando da Suestada.
Coxeando, queixosa, amaldiçoei aquele momento, que considerei castigo por já
ter sido a segunda vez (pelo menos) que urinava pelas escadarias nada
sumptuosas de um prédio. Confesso, aliás, que a primeira vez foi meramente por
desporto. Fi-lo tal qual uma obra de arte, em muito semelhante a uma cascata de
chuva dourada... Esse prédio sofreu muito com a minha passagem. Até atirei
ladrilhos do último piso cá para baixo. Estrondos que só visto. Ninguém vinha
ver o que se passava quando eu fazia merda. Talvez por medo. Eu gritava como se
estivesse a ser atacada. Roubei sapatos de uma varanda e espalhei-os pelo hall de
entrada do prédio, para provocar intriga. Houve uma vez que um morador confidenciou:
"Aconteceram aqui coisas horríveis...". Foi a cereja no topo do bolo.
Mais souvenirs e memórias de
fazer bolsar qualquer sujeito... Hum... Ah! Uma vez, fui jantar à Pizza-Hut...
Enfardei montes de pizza, sangria, pão de alho, um brownie... E depois vomitei no
exterior, mas vomitei duas partes sólidas separadas. Devia ter tirado uma foto.
Assim é difícil de explicar o insólito da coisa.
Desculpem se vos tirei o apetite.





















