Quando era pequena, tinha tendência para me apaixonar por quem não devia - e hoje também... Porém, as escolhas eram hilariantes. Apaixonei-me por uma raposa (desenho animado) macho chamada Fuzzi... Apaixonei-me por um gajo chamado Kyle, personagem de uma série australiana que passava na altura. Apaixonei-me por um gajo conhecido do meu pai que geria uma pizzaria e tinha um rottweiler... Lembro-me de dizer na escola que estava louca por ele e falava dele como se fosse meu namorado...
Apaixonei-me pelo Fernando Nogueira, na altura em campanha pelo PSD... Só visto... Apaixonei-me pelo Urso Azul, um urso marinheiro aldrabão que passava no Um-Dó-Li-Tá.
Acho que também gostava de um colega da primária chamado Martim... Mas ele nunca me deu troco. Tinha olhos verdes e cabelo preto e uma vez passou-se e pontapeou-me quando saímos da escola, sem razão aparente, em frente ao carro da mãe dele, que nada fez para me defender. Tenho isso até hoje atravessado. Tal como uma vez que levei um murro de um anormal chamado Cristiano Toco... Desejo-lhe as mais variadas torturas... Em contrapartida, o cabrão chegou ao 7º ano com a reputação de se peidar/bufar nas aulas de Inglês.
Nunca me apaixonei por um professor; todos eles me irritavam por constituírem
uma autoridade escolar/pedagógica. Além disso, eram todos patéticos. Cheguei a
ter um professor de Educação Física que andava de pau feito nas aulas... Que
horror. O gajo era nortenho e uma vez disse "Ó Nancy, podemos manter o
contacto!" ao que lhe respondi rispidamente "Tssk, eu dou-lhe o
contacto...". Também me abordou uma noite no Grand Café para se apresentar
ou... nem percebi bem. Era escusado.
Mais tardiamente... Apaixonei-me loucamente pelo
Robbie Williams... E isso foi uma grande maleita! Chorava de tão ciumenta por
vê-lo com outras gajas nos videoclips. Ah! Apaixonei-me também por um mendigo,
imagine-se. Nunca cheguei a perceber a sua nacionalidade. Era loiro, de olhos
azuis... E eu cheguei ao ponto de lhe dar esmola e chocolates... Mas acho que o
que ele devia querer eram narcóticos... Anyway... Perdi-lhe o rasto em três
tempos.
Quando dava o programa televisivo Agora ou Nunca
fiquei louca pelo Jorge Gabriel. Sim, aquele traste! Ainda hoje me pergunto
como é possível. Tudo isto foi pela altura da escola primária: Jorge Gabriel,
José Figueiras, João Baião (era o meu herói do Big Show Sic!),... e até o Ernesto, que era um velho que fazia de mordomo do Jorge
Gabriel no Agora ou Nunca... Porra... Que vergonha.
Sempre me apaixonei por pessoas inatingíveis,
inalcançáveis, potencialmente difíceis e até mesmo impossíveis.
A obsessão mais recente que tive foi pelo Zé Pedro
dos Xutos & Pontapés. Cheguei a estar com ele pessoalmente e senti os
joelhos a fraquejar, pensei que me ia dar um chilique. Sempre quis saltar as
barreiras de segurança durante um concerto dos Xutos e atirar-me a ele para o
beijar, para frenesim total do público e dos media... Mas, feliz ou
infelizmente, nunca fui capaz. Bah.
Apaixono-me com uma intensidade doentia que me
incapacita de me focar noutras coisas.
Uma vez apaixonei-me por um tal de Ellis Barfield,
que nunca sequer me VIU, só passou por mim de raspão... E levei a cabo a
Operação Chá Quente! Vigiava-o, fazia-lhe esperas, informava-me sobre a família
Barfield, até lhe roubava a correspondência que encontrava na caixa de correio,
nem sei como não ficava lá entalada, mas roubei-lhe extractos de conta
inclusive.
Quem lê este post deve pensar "Espero que esta
maluca nunca se apaixone por mim...". Bom, e eu também.