sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma puta é sempre uma puta.

 
 
"Uma puta é sempre uma puta", já dizia o Joaquim D'Almeida no Call Girl. E com muita razão.

Quando nos vem à cabeça a palavra "puta", podemos associá-la a várias correspondências, entre as quais: a puta profissional, dita prostituta; a puta conotada de bitch, uma galifona cheerleader sem escrúpulos, insuportável; e a puta chamada vulgarmente de slut, pois fode tudo o que lhe aparece à frente e posta fotos semi-nua na sua página pessoal. Das três, a mais respeitável acaba por ser a profissional do sexo. Pois claro.

A crise está aí. Será que as prostitutas também sentem a bancarrota na pele? Será que a prostituição deveria ser legalizada? Recibos verdes? O proxenetismo uma firma? Opinem. Costumo pensar nisso. Respeito mais uma prostituta que um traficante de droga. Enquanto que um serviço proporciona prazer ao próximo (por uma choruda maquia variante consoante a madame), um dealer apenas alimenta a desgraça alheia, contribuindo para o vício, degradação, decadência, violência, ajustes de contas... e tudo mais que esteja associado.

Pessoalmente, não seria capaz de entrar no negócio da prostituição. Mesmo que fosse de luxo. Mas há muitas meninas da minha idade que ficaram tão iludidas com o filme Pretty Woman que desde então sonham com um futuro parecido. Mas se acham que lhes vai calhar o Richard Gere (nunca o achei charmoso, ao contrário de 80% do mulherio) na rifa da clientela, estão um bocado equivocadas...

A ideia que as pessoas têm das putas é: a típica trintona ou quarentona de dentes podres, mini saia de lycra, veias todas picotadas, a ressacar, a render ali à beira-estrada, na berma, em Monsanto ou no Intendente. Tudo bem que é um clássico tradicional mas a prostituição tem vindo a "evoluir"... Muitas académicas dão o corpo ao manifesto, para pagarem as propinas e mais alguns extra-caprichos. Não tenho nada contra, aliás, até invejo o que ganham as escorts, por exemplo. Ganham numa noite o que eu ou tu ganhamos num mês. Mas como podem imaginar, nem tudo são rosas, e nem todas são a Soraia Chaves no filme Call Girl.

A prostituição, apesar de vulgar, tem a sua mística, quando bem utilizada. Para além de ser a profissão mais velha do mundo (é o que se diz), é uma alternativa para quem não quer ser caixa num supermercado. Depois, não pagam imposto. Não são despedidas. Como dizia o outro no filme Jaime: "Caralho, só as putas é que não estão desempregadas. Se isto continua assim vou ter de dar em travesti...!". Bom, eu não era capaz. Mais depressa me imagino a assaltar a Caixa Geral de Depósitos encapuçada. Mas, ainda assim, acho mais lamentável quem paga para ter sexo, que quem tem sexo por dinheiro.

Casas de alterne então, sempre haverão. E a ASAE nem tem metido o bedelho. Entretém-se a encerrar tascas e tabernas igualmente deploráveis.

Lembrei-me disto tudo devido ao escândalo sexual na Selecção Francesa...

Ri-me tanto quando soube que Gouvou ficou espantado com a verba de 2 mil euros exigida pela prostituta...

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