Quem diz que morar em localidades pequenas é muito mais tranquilo, não sabe o que está a dizer. Mas um dia, se de facto passarem pela experiência, perceberão que não é de todo agradável ir a um bar ou atravessar uma rua, dando de caras com o patrão, o ex-patrão, o ex-namorado, o senhorio, o ex-senhorio, o arqui-inimigo, ou qualquer outra pessoa que prefiram evitar encontrar. Pior é quando todos eles se conhecem. Não seria assim tão improvável. Tudo se sabe, todos te comentam, e é quase impossível sair à rua sem ter que cumprimentar alguém. Não será difícil que todos fiquem a saber onde trabalhas, se estás no desemprego, se te tentaste suicidar, se engravidaste, e abortaste, se tens vícios secretos e outros segredos. Portanto... Pensem muito bem antes de virem com a treta do "Ai, não aguento mais o stress citadino, preciso de um meio mais pequeno onde possa relaxar.". A sério que até podem relaxar, mas não há-de ser mais que uma semana. A privacidade não dura para sempre e tudo tem o seu preço. Na província, caro leitor, não há cá anonimato.
terça-feira, 28 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Pérolas do MSN #12
(20:58) Nancy Von Doll: Michael Jackson
(21:00) - Catarina: chama por mim
(21:03) Nancy Von Doll: do céu?
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Professores Burros
Se há coisa que nos cai mal é ter um professor mais burro que nós. Aquela sensação de que os papéis estão invertidos, de que um labrego qualquer, por mais diplomas que tenha, será sempre um labrego, labrego esse que nos está a dar aulas, a educar, a ensinar, a formar (!). Assustador. Lembro-me de vários professores que tive, cada um mais burro que o outro. Um poço de ignorância disfarçado por uma licenciatura e alguma autoridade pedagógica. Pseudo-pedagogos de QI reduzido e cultura geral que nem passaria da primeira fase do Quem Quer Ser Milionário. A sorte deles é que lhes calhavam turmas de gente igualmente ignóbil, a modos que não poderiam ser questionados.
O meu professor de Português do 6º ano, após recitar alguns parágrafos em Robinson Crusoe, declarou à turma que o personagem era proveniente de Nova Iorque. Sim... NY. Em 1719. Perante tal disparate, eu corrigi o homem, alegando que Crusoe era originário, não de Nova Iorque mas sim de York, na Grã-Bretanha. O professor ficou petrificado de tanta vergonha. Não contava que alguém naquele espaço soubesse mais que ele, muito menos que o corrigisse. Tentou disfarçar, tentou negar, riu, gerou-se ali uma confusão... No lugar dele eu já me teria dedicado a outro ofício. Mas oh, well.
Numa outra circunstância, resolvi apostar com uma colega de turma que a nossa professora de Psicologia não sabia a nacionalidade do pintor Dalí. Quis testar até que ponto é que a mulher era ignorante e inculta, movida por um gozo sádico e malévolo, uma necessidade de provar que a professora não sabia mais que nós, alunos. Fiz-me de parva e perguntei-lhe qual era a nacionalidade do referido artista. "Italiano, claro!", foi a resposta da senhora professora.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Pérolas do MSN #11
(23:33) Cláudia: o filme kids chocou m mt
(23:33) Nancy Von Doll: raramente te emocionas c filmes claudinha. opa isso é a Sida
(23:33) Cláudia: era so sida
(23:33) Nancy Von Doll: tens medo da Sida
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Prazeres Modestos
Dormir descalça. Beber pela garrafa. Arrotar a água das pedras depois de uma digestão difícil. Percorrer o veludo com os dedos. Arrepios de alívio quando finalmente se mija após horas de retenção. Aroma de incenso impregnado na roupa. Sensação pele de golfinho em pernas recém-depiladas.
domingo, 19 de maio de 2013
O melhor da Eurovisão (mesmo sem o relato efeverscente de Eládio Clímaco)
Portanto... Tecno-Transilvânia meets Maria Callas meets dubstep com um toque de pimba balcã.
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Retrospectiva, dizem eles.
Já estamos quase a meio de 2013 e o único insólito do qual me posso gabar foi apenas ter-me saído uma aranha do ouvido.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Era uma vez no Green Room
Ontem à noite fui jantar com a Cláudia a um spotzinho que serve comida mexicana, The Green Room. Embora a comida seja mexicana, a gerência é neo-zelandesa. E nós duas éramos as únicas portuguesas a comer lá. Comemos até ficar embuchadas, é certo, e já sabem que tudo o que leva feijão e pimentos não perdoa em hora de digestão. A modos que nem conseguimos comer tudo até ao fim. Bom, e o molho picante fez-me por momentos temer pelo meu esófago em labaredas.
O pior do nosso jantar foi mesmo o facto de termos lá ido numa noite em que só passavam filmes/documentários/reportagens sobre surf. Na penumbra, um projector exibia a grande emoção que é surfar. Estavam todos emocionadíssimos, acenando com a cabeça, ao som de ondas e Jack Johnson. Atrás da Cláudia, estava um surfista ou aficcionado completamente embevecido e boquiaberto. A casa parou. O surf era a crença.
Eu e Cláudia ali, a destoar brutalmente, a contrastar com o ambiente evolvente. Todos de havaianas, bronzeado caribenho e sorrisos peace & love, e nós a enfardar que nem porcas, enfiadas em indumentárias muito anos 80 com revivalismo 50's, olhando desconfiadamente em nosso redor, assombradas com aquela "seita surfista" na qual não nos integrávamos.
Às vezes até é divertido estarmos inseridas em contextos com os quais em nada nos identificamos. Por uma questão de diversidade. De destoar dos restantes. Análise sociológica, também. E porque os mojitos eram bons, e ainda nos ofereceram um shot para compensar a nossa severa espera pela refeição.
Ah, e claro está, escolhemos o único lugar onde jamais se ouviria "Carrega, Benfica!" (nunca percebi esta. carrega?! carrega algo às costas? carrega no botão? a cruz que carrega!? wtf?).
Eu e Cláudia ali, a destoar brutalmente, a contrastar com o ambiente evolvente. Todos de havaianas, bronzeado caribenho e sorrisos peace & love, e nós a enfardar que nem porcas, enfiadas em indumentárias muito anos 80 com revivalismo 50's, olhando desconfiadamente em nosso redor, assombradas com aquela "seita surfista" na qual não nos integrávamos.
Às vezes até é divertido estarmos inseridas em contextos com os quais em nada nos identificamos. Por uma questão de diversidade. De destoar dos restantes. Análise sociológica, também. E porque os mojitos eram bons, e ainda nos ofereceram um shot para compensar a nossa severa espera pela refeição.
Ah, e claro está, escolhemos o único lugar onde jamais se ouviria "Carrega, Benfica!" (nunca percebi esta. carrega?! carrega algo às costas? carrega no botão? a cruz que carrega!? wtf?).
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Pérolas do MSN #10
(12:58) Nancy Wilde: agr é fashion comer cavalas
(12:58) - Catarina: fdx
(12:58) - Catarina: yah parece q sim caralho
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Lembram-se disto?
Ah, belos tempos, os da Rádio Cidade com locutores brasileiros. E os anos que levei a tentar descobrir quem interpretava este hino à ostentação!
terça-feira, 7 de maio de 2013
A SIC em brasa com CSI Miami
Horatio já não está para brincadeiras... A paciência esgotou-se... Os criminosos que se cuidem!
A sério que isto é para levar a sério? Mas que paródia.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Franja
A minha franja não é perfeita porquê? Queixo-me se sou eu a cortá-la em casa, queixo-me se vou ao cabeleireiro porque alegadamente não são mestres da perfeição milimétrica do franjedo... Só me queixo, de facto. Nunca estou satisfeita com nada. Estou com cãibras.
domingo, 5 de maio de 2013
Pérolas do MSN #9
(0:42) Nancy Von Doll: o meu pai disse me agr "n ponhas o tlmvl ao pe da vagina q isso faz mal por causa das radiaçoes"
(0:42) Cláudia: LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL
sábado, 4 de maio de 2013
Desigualdade
Irrita-me tanto mas tanto assistir à imensa e abissal desigualdade entre os espécimes da actual geração jovem. Putos quase graúdos que nunca precisaram de trabalhar para estudar, nem de trabalhar para assegurar a subsistência.
Uns poupam tostões ao longo do mês para que ainda sobre. Usam o mesmo guardanapo do almoço ao lanche e ao jantar. Apagam a luz das divisões vazias para reduzir o gasto. Levam meses a laborar para apenas sobreviver, e nem sempre viver. Comem, dormem, trabalham. Mas viver propriamente, não vivem. O dinheiro ao fim do mês chega como uma lufada de ar fresco em tons de alívio tranquilizante. Depois de pagarem as contas, nem sempre há capital para jantar fora, comprar uma prenda para o ente querido aniversariante ou investir numa viatura própria.
Outros levam o ano inteiro no dolce fare niente. Não precisam de trabalhar. Quando lhes pergunto como moraram sozinhos tanto tempo sem trabalhar e sem recorrer a negociatas obscuras, respondem-me que os pais "deram uma ajudinha". Anos a fio a ir ao cinema todas as semanas, comer fora, pagar gasolina, roupa, portáteis, máquinas fotográficas, viagens... Sem que tenham algum dia tido um emprego. Um trabalho. Quanto mais não fosse uma biscate. Ou RP na discoteca de um amigo.
O que mais me choca nisto é a cegueira de quem tanto gasta mas nunca se esforça para obter o financiamento. Isto é, são capazes de levar a convidar pessoal amigo e/ou conhecido, imensas vezes, infinitas vezes, a jantar fora, almoçar fora, lanchar fora, esquecendo-se (convenientemente?) do ordenado mínimo que assola a realidade de quem querem levar a comer fora. E hoje em dia não é como antigamente, em que quem convidava, pagava.
Portanto, é óbvio que, cada vez mais, jovens endinheirados convivem com jovens endinheirados, sendo que uma coexistência frequente com jovens pelintras terá as suas consequências - ou o jovem pelintra vai à falência e se endivida para poder acompanhar a odisseia de gastos do jovem endinheirado, ou o jovem endinheirado desce a uma realidade paralela onde sucumbe a uma degradação moral e decadência de estatuto.
Pois é, a eterna desigualdade entre classes sociais ainda por cá anda, e cada vez mais contrastante. As diferenças sobressaem mais na faixa etária jovem e quem passa por invejoso será sempre quem está na mó de baixo.
Uns poupam tostões ao longo do mês para que ainda sobre. Usam o mesmo guardanapo do almoço ao lanche e ao jantar. Apagam a luz das divisões vazias para reduzir o gasto. Levam meses a laborar para apenas sobreviver, e nem sempre viver. Comem, dormem, trabalham. Mas viver propriamente, não vivem. O dinheiro ao fim do mês chega como uma lufada de ar fresco em tons de alívio tranquilizante. Depois de pagarem as contas, nem sempre há capital para jantar fora, comprar uma prenda para o ente querido aniversariante ou investir numa viatura própria.
Outros levam o ano inteiro no dolce fare niente. Não precisam de trabalhar. Quando lhes pergunto como moraram sozinhos tanto tempo sem trabalhar e sem recorrer a negociatas obscuras, respondem-me que os pais "deram uma ajudinha". Anos a fio a ir ao cinema todas as semanas, comer fora, pagar gasolina, roupa, portáteis, máquinas fotográficas, viagens... Sem que tenham algum dia tido um emprego. Um trabalho. Quanto mais não fosse uma biscate. Ou RP na discoteca de um amigo.
O que mais me choca nisto é a cegueira de quem tanto gasta mas nunca se esforça para obter o financiamento. Isto é, são capazes de levar a convidar pessoal amigo e/ou conhecido, imensas vezes, infinitas vezes, a jantar fora, almoçar fora, lanchar fora, esquecendo-se (convenientemente?) do ordenado mínimo que assola a realidade de quem querem levar a comer fora. E hoje em dia não é como antigamente, em que quem convidava, pagava.
Portanto, é óbvio que, cada vez mais, jovens endinheirados convivem com jovens endinheirados, sendo que uma coexistência frequente com jovens pelintras terá as suas consequências - ou o jovem pelintra vai à falência e se endivida para poder acompanhar a odisseia de gastos do jovem endinheirado, ou o jovem endinheirado desce a uma realidade paralela onde sucumbe a uma degradação moral e decadência de estatuto.
Pois é, a eterna desigualdade entre classes sociais ainda por cá anda, e cada vez mais contrastante. As diferenças sobressaem mais na faixa etária jovem e quem passa por invejoso será sempre quem está na mó de baixo.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Dramas existenciais do quotidiano
"There are only two tragedies in life: one is not getting what one wants, and the other is getting it." , afirmava Oscar Wilde. Tenho reflectido imenso sobre esta frase. Será que um dia virei a constatar o mesmo?
Tenho medo da rotina. Mesmo quando ela já está instalada e eu ainda nem dei por isso... Ou talvez finja que ainda não dou por ela. Bah. Ando com grandes crises existenciais ultimamente. Nada me satisfaz. Custo a adormecer. Só penso em coisas que me causam ansiedade. E tenho vindo a noticiar palpitações, arritmias, taquicardias, eu sei lá!
A vida é tão mas tão curta. Às vezes sinto que devo ser a única a ter isso em conta. Isto é, a lembrar-me constantemente da sua curta duração. Ando muito fatalista.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Pérolas do MSN #8
(23:30) Cláudia: agora nao. quero dormir em paz hj.
(23:30) - Catarina - atm: tou mto em baixo c o filme
(23:31) Nancy Von Doll: dormir em paz q horror... frase horrivel
Bah
Padeço de uma azáfama prevaricadora que me corrói a alma, me inflige flagelos e liberta demónios. Ando num stress inimaginável, tentando conciliar o trabalho com o resto (um resto complexo, complicado), batalhando a favor da minha réstia de sanidade mental. Nem consigo concentrar-me. Não consigo articular palavras e pensamentos, não tanto nem tão bem como antigamente. Não ando com cabeça para nada.
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