Quando eu tinha 14 anos e a Mel era a minha partner in crime, lembro-me de ter feito coisas tão estúpidas quanto fantásticas e hilariantes.
Depois da escola, íamos ao Intermarché, que ficava mesmo ao lado.
Naquela altura, tive a oportunidade de roubar seringas da casa da psicóloga que me andava a tentar aliviar a crise da adolescência.
Com aquela idade, eu era, oficialmente, a freak-míope-esquisitóide-patinho feio-que-queria-ser-punk-ou-gótica (a malta lá na escola até assobiava o tema musical da Família Addams quando me viam passar nos corredores). Em contrapartida, a Mel era a miúda gira, loira, de olhos azuis, que eu admirava, e no fundo, também invejava, por não poder ser como ela. Porém, hoje dou-me excepcionalmente bem com ela. Lindamente.
Bom, mas passemos ao que interessa: afinal o que é que eu ia fazer ao supermercado?
Eu andava sempre com a seringa, qual junkie, mas o meu objectivo não era propriamente chutar-me. Era algo bem avantgarde! Eu tinha-me inspirado num dos livros d'Uma Aventura (espero que a Isabel Alçada esteja a ler isto), mais precisamente Uma Aventura no Supermercado, onde um velho louco ia ao supermercado e punha moscas mortas dentro da margarina, furava os pacotes de leite com a seringa, transferia líquidos de pacote para pacote... E eu comecei a fazer o mesmo! Até me cheguei a picar acidentalmente com a agulha da seringa e tive de ir ao lobby pedir um penso rápido!
Depois daquilo tudo, roubámos um carrinho de supermercado, eu empurrava-o com a Mel lá dentro, o carro caiu para a estrada, a Mel ia sendo atropelada, foi de loucos. A adrenalina era patética. Escondemos o carrinho mas uns putos do meu bairro roubaram-no.
Eu rio-me só de me lembrar esta bélle époque da minha adolescência miserável. Aquilo era um passo à frente, não era só roubar e vandalizar coisas, era algo mais que isso. E certamente também mais original. Era um desafio!
Com aquela idade, eu era, oficialmente, a freak-míope-esquisitóide-patinho feio-que-queria-ser-punk-ou-gótica (a malta lá na escola até assobiava o tema musical da Família Addams quando me viam passar nos corredores). Em contrapartida, a Mel era a miúda gira, loira, de olhos azuis, que eu admirava, e no fundo, também invejava, por não poder ser como ela. Porém, hoje dou-me excepcionalmente bem com ela. Lindamente.
Bom, mas passemos ao que interessa: afinal o que é que eu ia fazer ao supermercado?
Eu andava sempre com a seringa, qual junkie, mas o meu objectivo não era propriamente chutar-me. Era algo bem avantgarde! Eu tinha-me inspirado num dos livros d'Uma Aventura (espero que a Isabel Alçada esteja a ler isto), mais precisamente Uma Aventura no Supermercado, onde um velho louco ia ao supermercado e punha moscas mortas dentro da margarina, furava os pacotes de leite com a seringa, transferia líquidos de pacote para pacote... E eu comecei a fazer o mesmo! Até me cheguei a picar acidentalmente com a agulha da seringa e tive de ir ao lobby pedir um penso rápido!
Depois daquilo tudo, roubámos um carrinho de supermercado, eu empurrava-o com a Mel lá dentro, o carro caiu para a estrada, a Mel ia sendo atropelada, foi de loucos. A adrenalina era patética. Escondemos o carrinho mas uns putos do meu bairro roubaram-no.
Eu rio-me só de me lembrar esta bélle époque da minha adolescência miserável. Aquilo era um passo à frente, não era só roubar e vandalizar coisas, era algo mais que isso. E certamente também mais original. Era um desafio!
Ainda me lembro do casal que me apanhou ajoelhada na secção dos lacticínios, a transferir com a seringa, leite com chocolate, para pacotes de vinho e vice-versa. Eles ficaram atónitos, para meu júbilo e euforia.
Uma vez, eu e a Mel fomos a um supermercado mais pequeno aventurar-nos de seringa em punho e foi épico: eu tive a ideia de tentar que a seringa sugasse o líquido que conserva as azeitonas, mas estas bloquearam a agulha e ficaram presas na seringa! Eu puxava e bombeava a seringa furiosamente, ferozmente, e a Mel riu tanto que até mijou nas calças!
Acho que deviam fazer um filme sobre isto. A sério!
Uma vez, eu e a Mel fomos a um supermercado mais pequeno aventurar-nos de seringa em punho e foi épico: eu tive a ideia de tentar que a seringa sugasse o líquido que conserva as azeitonas, mas estas bloquearam a agulha e ficaram presas na seringa! Eu puxava e bombeava a seringa furiosamente, ferozmente, e a Mel riu tanto que até mijou nas calças!
Acho que deviam fazer um filme sobre isto. A sério!











