domingo, 26 de fevereiro de 2012

Uma Aventura no Supermercado

Quando eu tinha 14 anos e a Mel era a minha partner in crime, lembro-me de ter feito coisas tão estúpidas quanto fantásticas e hilariantes.

Depois da escola, íamos ao Intermarché, que ficava mesmo ao lado.
Naquela altura, tive a oportunidade de roubar seringas da casa da psicóloga que me andava a tentar aliviar a crise da adolescência.


Com aquela idade, eu era, oficialmente, a freak-míope-esquisitóide-patinho feio-que-queria-ser-punk-ou-gótica (a malta lá na escola até assobiava o tema musical da Família Addams quando me viam passar nos corredores). Em contrapartida, a Mel era a miúda gira, loira, de olhos azuis, que eu admirava, e no fundo, também invejava, por não poder ser como ela. Porém, hoje dou-me excepcionalmente bem com ela. Lindamente.


Bom, mas passemos ao que interessa: afinal o que é que eu ia fazer ao supermercado?
Eu andava sempre com a seringa, qual junkie, mas o meu objectivo não era propriamente chutar-me. Era algo bem avantgarde! Eu tinha-me inspirado num dos livros d'Uma Aventura (espero que a Isabel Alçada esteja a ler isto), mais precisamente Uma Aventura no Supermercado, onde um velho louco ia ao supermercado e punha moscas mortas dentro da margarina, furava os pacotes de leite com a seringa, transferia líquidos de pacote para pacote... E eu comecei a fazer o mesmo! Até me cheguei a picar acidentalmente com a agulha da seringa e tive de ir ao lobby pedir um penso rápido!
Depois daquilo tudo, roubámos um carrinho de supermercado, eu empurrava-o com a Mel lá dentro, o carro caiu para a estrada, a Mel ia sendo atropelada, foi de loucos. A adrenalina era patética. Escondemos o carrinho mas uns putos do meu bairro roubaram-no.


Eu rio-me só de me lembrar esta bélle époque da minha adolescência miserável. Aquilo era um passo à frente, não era só roubar e vandalizar coisas, era algo mais que isso. E certamente também mais original. Era um desafio!
Ainda me lembro do casal que me apanhou ajoelhada na secção dos lacticínios, a transferir com a seringa, leite com chocolate, para pacotes de vinho e vice-versa. Eles ficaram atónitos, para meu júbilo e euforia.


Uma vez, eu e a Mel fomos a um supermercado mais pequeno aventurar-nos de seringa em punho e foi épico: eu tive a ideia de tentar que a seringa sugasse o líquido que conserva as azeitonas, mas estas bloquearam a agulha e ficaram presas na seringa! Eu puxava e bombeava a seringa furiosamente, ferozmente, e a Mel riu tanto que até mijou nas calças!


Acho que deviam fazer um filme sobre isto. A sério!

Não é que tenham muito a ver com isso, mas perguntam-me sempre.

1. "Então, já arranjaste namorado?!" - Esta é um clássico. Não ter ninguém faz de mim uma loser?
2. "Estás a estudar o quê? Ah... Então não foste para a Universidade?" - Não, não fui. Já tu, foste, sim senhor. No entanto, continuas no desemprego. E burro. Ah! Ah!

3. "Já tiraste a carta de condução?" - Não. É crime? É assim tão estranho? Devias-me agradecer pelo facto de eu não contribuir para a tua causa de morte na estrada... e a camada de ozono e a minha saúde também me agradecem. Ou vais tu pagar-me a carta... o carro?

4. "Ainda moras com os teus pais?" - ...Porquê, queres dar-me asilo?

5. "Como é que vai o trabalho?" - Que tentativa desesperada de saber se estou empregada e/ou a ganhar bem. Sem comentários.

Nunca se diz nunca, mas...

NUNCA visionarei um filme dobrado (a menos que seja de animação, obviamente).
NUNCA vestirei um casaco de peles verdadeiro.
NUNCA serei vegan.
NUNCA tatuarei um golfinho ou fantochada semelhante.

"Patrão fora, dia santo na loja!"

Eu deveria fazer como o Martinho da Vila e escrever uma cantiga sobre, não todas as mulheres que já tive, mas sobre todos os patrões que já aguentei.

Já tive uma patroa que me fazia trabalhar das 8am às 8pm e no fim, insatisfeita com o meu trabalho (empregada de mesa, empregada de balcão, mas também montava e desmontava a esplanada, limpava as retretes e todo o estabelecimento), despediu-me.

Tive um casal de patrões que me chegou a chantagear, imagine-se. Diziam que iriam contar umas merdas sobre mim ao meu pai se eu não aceitasse trabalhar durante mais alguns dias. Metiam-se sempre na minha vida e comentavam-na com todas as velhas que pululavam pela loja. Também me obrigavam a fazer crepes, sem experiência nem condições de higiene, em frente à populaça, que aguardava. Deu merda e eu apanhei um melão, obviamente.
Pagavam-me uma miséria e mandavam-me pressionar os clientes a comprar qualquer coisa - detesto fazer isso porque também detesto quando o fazem comigo.
Como vingança, recusei-me a tentar apanhar o rato que andava pela loja/cafetaria durante à noite. Ia aos computadores do andar de cima, deixava-os em sites pornográficos, aos berros, dizendo que era obra de taradagem que frequentava o local. Ao serão, aviava os licores de figo que lá vendiam. Ou seja, não fiquei a perder na totalidade.

Tive patroas em lojas de roupa, as "gerentes de loja", que me infernizavam a vida. Aquele ofício já era intriguista e competitivo o suficiente, dado que éramos só fêmeas a laborar.
Acreditem ou não, houve uma que até nos revistava as malas no fim do turno, a ver se tínhamos roubado alguma peça de roupa interior. Que parvoíce: se eu quisesse furtar, levava a roupa interior logo vestida, em vez de na mala, sítio que seria obrigatoriamente revistado pela superior. Bah.
Fora isso, levar horas de pé ao som de música comercial aos berros... era uma tortura digna da Santa Inquisição.

Tive um patrão que era um bimbo de primeira, e referia-se às estrangeiras como "cavalonas". Era benfiquista ferrenho, então só falava nisso, e esperava que eu tivesse voto na matéria, quando eu detesto futebol. E tinha esquemáticas duvidosas, isto é, enviava clientela para quartos fora da pousada em questão, etc. Além disso, dizia que eu não era simpática o suficiente. Eu sempre fui simpática e educada, simplesmente não tenho pinta de graxista. Fez-me pensar que teria um futuro assegurado naquele trabalho mas não me renovou o contrato, alegando injustamente que eu não me adaptei. Tretas. Arranjaram foi outro estagiário para me substituir, em que o IEFP pagava 60% do ordenado... Como se eu fosse parva. Se me vinguei? Não vou confidenciar o que fiz, com medo de represálias, mas posso dizer que fiz muito bem, devia ter ido mais longe, e nunca fui apanhada, nem jamais desconfiaram de mim. O que fiz foi inacreditável. Bom, quer dizer, há uma coisa que posso confidenciar, que não serei presa por isso... Havia um carocho que lá ia, pagava por um quarto para se drogar o dia inteiro. Uma vez que ele saiu à rua, eu infiltrei-me no quarto dele, substituí a heroína que estava no papel de alumínio por... Pimenta de caiena, meus amigos, pimenta de caiena! E um pouco de Nesquik, para atingir a cor ideal. Escusado será dizer que, quando o junkie chegou ao "local do crime", passou-se dos carretos, desceu as escadas aos berros, enquanto gritava ao telefone: "Vendeste-me merda, cabrão do caralho! Vou-te rebentar os cornos, 'tás fodido, foda-se!". Eu, a recepcionista inocente, tive de me controlar violentamente para não desatar à gargalhada perante aquele panorama hilariante. Deduzo que o gajo, aquando da negociata da segunda dose, tenha ajustado contas com o dealer. E ainda devia ir a espirrar... Sou terrível.

Lembro-me ainda de um patrão que só mentia, de forma patética, gabando-se de feitos passados de proporções épicas, e que conhecia toda a gente no submundo londrino e além-fronteiras. Ridículo. Era mais baixo que eu, tinha o cabelo de Sansão (com direito a condicionadores que cheiravam a caramelo), dizia às estrangeiras que era perito em conceber orgasmos alheios (awkward...)... E o sócio dele, que ao fim de contas também era meu supervisor, fechava-se no escritório a ver pornografia de contornos sadomaso, com gang bangs em que humilhavam asiáticas e mestiças. Lá hardcore ele era. Tanto que até se peidava e bufava dentro do escritório, e quando lá ia, vinham ao de cima autênticas "Hiroximas". Como ele se esquecia de apagar o histórico, quando eu lá ia para efectuar o fecho de caixa e contar o dinheiro, deparava-me com mil e um vídeos abertos, cujo conteúdo era, de facto, sinal de que ele com certeza ia para o trabalho puxar o lustro ao dito, na sua condição de punheteiro em horário de expediente.

Pois é. E depois de todas estas pérolas, e mais algumas, em que a entidade patronal era burra que nem uma porta, dizia "prontos" e me perguntava se eu tinha namorado, vejo-me num ofício cujo patrão é espectacular. Não tenho qualquer razão de queixa dele. Incrível. O ambiente de trabalho, a empatia entre os membros do staff, é muito importante.
Ao menos desta vez, tive sorte.

Sabem aquela sensação...

Quando adoram tanto uma determinada música, que não conseguem, pura e simplesmente, parar de ouvi-la. Inclusivamente, acordam com essa mesma música na cabeça e ficam a ressacar pela dita melodia, no entanto controlam-se ao máximo porque assusta-vos a possibilidade de, se a ouvirem vezes de mais, eventualmente se fartarem de a ouvir, enjoarem dessa música?... E aí a paixão por esse tema cessa, e já nem a conseguem apreciar com tanta intensidade como dantes...
É exactamente assim que eu me sinto em relação ao amor. É um medo de que tudo seja demasiado efémero, e simultaneamente demasiado eterno, demasiado permanente. É complicado e paradoxal. Um antagonismo estúpido que me tem feito nutrir paixões platónicas, disfuncionais e não correspondidas (ou não consumadas) ao longo destes anos.

60's

Uma coisa que me causa extrema irritação são aquelas pessoas que julgam que os anos 60 foram só e exclusivamente o apogeu do peace and love, festival de Woodstock, guerra do Vietname e consumo de drogas psicadélicas.
Os putos de hoje em dia, aquando de uma festa cuja temática são os 60's, vão todos fantasiados de hippies, achando que a década apenas foi uma alucinante experiência onde toda a gente se limitava a ouvir The Doors.
Então e as cantoras francesas yé-yé? E o beehive? E os mods VS rockers? E as rádios pirata? E a Mary Quant? E a Biba? E as go-go boots? E a sofisticação da Jackie Kennedy? E a Guerra Fria?

Pois é, os jovens de hoje em dia têm uma imagem errada, aliás, limitada, de uma década onde apenas acham que o pessoal só fumava ganzas e em que ninguém cortava o cabelo. Meus amigos, desses ainda existem, e durante os anos 60, não eram todos assim, e ainda bem, porque não gosto dessa malta do flower power, diga-se de passagem.
Deixem-me ainda dizer que as diferenças, mudanças e transformações entre a primeira e a segunda metade dos anos 60 foram abissais.
Resumindo: Não existiam hippies de barba e cabelo compridos a curtir o amor livre em festivais de música em 1962.

The kids are doing it wrong.
Há dias em que parece que nenhuma música nos cai bem no ouvido.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Clichés da Rede Globo: José Mayer e as Ninfetas

O José Mayer - considerado por muitas mulheres tão charmoso quanto o António Fagundes, coisa que para mim será sempre um absurdo - faz sempre o papel de galã de meia-idade (muitas das vezes numa crise de meia-idade dos diabos) que seduz raparigas muito mais novas, desencadeando o caos no seio familiar, provavelmente derivado ao affair.
Senão vejamos:

Em Presença de Anita, era casado mas andava metido com a Mel Lisboa.
Também fez par com a espectacular Thaís Araújo.
Em Laços de Família, lá acabou por se envolver com uma prima afastada de 18 anos, a Íris (Deborah Secco), que era obcecada por ele; e ainda comia a veterinária da fazenda nas horas vagas.
Também andou a afogar o ganso na Daniellie Winits ou lá como ela se chama - eram amantes nesta novela, que eu lembro-me.

O que é que tem este homem de tão extraordinário, que as mulheres lhe caem aos pés, em todas as personagens que ele representa?!?! Se ainda fosse o Wagner Moura...
Não sei se vos acontecia o mesmo na vossa infância... Mas... Quando vos levavam ao cinema, o vosso filme favorito era sempre o último que tinham visto?

Bombyx mori


Os bichinhos da seda sempre me meteram nojo. Desde larvas rastejantes, passando pelo casulo igualmente repugnante e até atingir o último estágio da metamorfose, quando nos deparamos com uma mariposa semi-peluda e por demais grotesca... Ahrgh!!!
Durante os tempos da Escola Primária, fui incentivada a manter bichos-da-seda numa caixa de sapatos, não sei bem com que objectivo. Testemunhar o ciclo da vida? Analisar a metamorfose? Ou tentar domesticar aquelas criaturas repulsivas?

Fiquem-se pelos hamsters. A sério.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A minha doutrina chama-se Darwin

Lamento mas não sou crente em Deus. Aliás, na verdade nem sequer lamento. 
Obrigado por nunca me terem baptizado nem afocinhado na catequese em tenra idade, contribuindo assim para uma lavagem cerebral muito pouco Science-friendly.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

JCB = Lady Khadaffi

O José Castelo Branco parece um transformista que vai para uma festa cuja temática é o Khadaffi!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Amor em 4 Estações

fotograma de Sin City


Hoje desenvolvi o conceito de que o amor tem quatro estações. É uma teoria que para mim faz algum sentido, tendo em conta que tudo na vida tem um ciclo; tudo tem princípio, meio e fim. Tudo se renova, de certa forma. Tudo tem o seu declínio. E o amor não é excepção é regra. O amor tem quatro estações, assim sendo.

1. Primavera
Este é o primeiro estágio do amor. Nesta fase, o casal apaixona-se, e desabrocham sentimentos frescos e quase pueris. É o início curioso de um surpreendente fascínio crescente, de joelhos a tremer, de coração acelerado. Ambos ficam algo nervosos antes de se encontrar. Ainda se estão a conhecer mas a empatia é estrondosa.

2. Verão
Paixão de uma intensidade monstruosa. O casal está perdidamente apaixonado e cego. Enraizaram fortes e profundos sentimentos mútuos que tendem a manter-se, o que dá azo a experiências de grande relevância, que ficarão gravadas como memórias importantíssimas para analisar o teor do relacionamento. Expoente máximo da necessidade de manter relações sexuais frequentes e também de expressar a carga emocional presente na ligação do casal.

3. Outono
O casal "assenta". Desenvolveram cumplicidade, confiança e uma amizade especial. Respeitam-se mutuamente e podem contar um com o outro. Já não ficam nervosos quando vão ter um com o outro. A intimidade mantém-se, e com bastante poderio, e as relações sexuais tendem a adquirir outro ritmo, gradualmente. O casal age com mais calma, pondera mais a sua relação, e prefere a serenidade à sofreguidão inicial. É atingida uma certa maturidade no âmbito sentimental mas ambos lidam mais ou menos bem com isso.

4. Inverno
A rotina instala-se. O casal distancia-se sexual, física e emocionalmente. A linguagem corporal deixa transparecer um certo desinteresse, mesmo que seja em pequenos detalhes. As relações sexuais são pouco frequentes ou rotineiras, e o casal já se habituou por completo à presença um do outro e chega a questionar os próprios sentimentos e o que os mantém num relacionamento. Já não pensam tão exclusivamente um no outro nem se valorizam como na Primavera. Encontram dificuldade em compreender a verdadeira razão que justifique continuarem juntos.


Eu sei que cada caso é um caso, e louvo a malta que tem sorte neste sector... Porém, apesar disto não passar de uma teoria (nunca posta em prática, diga-se de passagem, pelo menos falo por mim), assusta-me a ideia de haver sempre um Inverno para toda a Primavera.

Fobia: Baratas

A minha fobia é popularucha e tradicional, quase tanto como a aracnofobia: BARATAS.
Acho que nem devia revelá-la, com medo de represálias, sabe-se lá se alguém não tem a vingativa ideia de me encher o correio ou o leito com baratões...
O meu coração dispara assim que me deparo com espécimes desta praga. O pânico paralisa-me. Ficar sozinha dentro da mesma divisão que uma barata é puro terror.
A fobia é um estado avançado de medo irracional. Por ser irracional é que é uma fobia. Não me venham dizer que têm fobia de baratas se apenas têm nojo, mas no fundo até são capazes de as matar com uma chinelada. Eu nem sequer sou capaz de me aproximar, quanto mais entrar em contacto com uma barata, mesmo que a intenção seja neutralizá-la.
Espero que nunca me apareça uma barata à frente quando eu estiver a morar sozinha na minha futura casa, para o mês que vem. É um medo que ultrapassa o medo de ser vítima de  homejacking, entre outras paranóias possíveis.

Ah, e desengane-se quem achou que eu iria anexar uma ilustração de uma cucaracha a este post. Já basta a confissão.

Turn-Off

A partir do momento em que oiço alguém a dizer "Prontos!" ou "a minha ESPOSA", é um balde de água fria que cai em brasa quente, como cantaria Nel Monteiro.
Lamento informar quem não ache o mesmo, mas dá um ar piroso, azeiteiro, reles, provinciano e iletrado. Toda e qualquer possibilidade de continuação de conversa, após ambas as expressões proibidas terem sido proferidas, cai por terra. E olhem que isto é mais frequente do que vocês imaginam.

Angelicalmerda



Serei breve e sucinta nesta review do medicamento não sujeito a receita médica, e agora muito em voga nas farmácias: Angelicalm.
Caros leitores, não vale a pena gastarem dinheiro naquele spray rídiculo (assemelha-se vagamente a um spray para o hálito). Não faz milagres. Tem três compostos naturais diferentes, entre eles valeriana e passiflora, conceituados entre os amantes de chá pelas suas propriedades calmantes/relaxantes. Porém, não é uma coisa que me dê sono, que me faça ir para a cama. Não noto grande diferença. Ah, e o sabor da valeriana em contacto com as papilas gustativas é um horror. Medonho (não é medronho, não, é mesmo medonho, o sabor).
É por estas e por outras que sou céptica em relação a produtos de origem natural, ainda para mais não sujeitos a receita médica. A minha teoria é que tudo o que não acarreta riscos não é eficiente. Acho que até as saquetas de Dormidina com chá de cidreira surtiam mais efeito.

Portanto, jovem: se não consegues adormecer, andas ansioso e te queres sedar, aconselho que te enfrasques numa xaropada de Benylin (cloridrato de difenidramina com etanol, é tiro e queda e sabe a framboesa ou o caralho) , tomes Actifed, e (se fores crente) reza a Deus ou a Alá para que encontres diazepam na stash da tua neurótica mãezinha.
Lembrem-se que todo o anti-histamínico é sedativo e geralmente nem precisam de receita médica, mas ninguém parece procurar esse meio alternativo nas farmácias.

Começo a considerar seriamente uma carreira como crítica de medicamentos. Tenho de contactar a Infarmed e registar a patente.

Momento de Hipocondria

Pergunto-me se o meu coração anda a dar de si... no mau sentido. Que eu saiba, nunca tive qualquer problema coronário mas há sempre uma primeira vez.
Quando estou a andar de bicicleta, ou outro esforço físico, dói-me o lado direito do peito. No entanto, quando estou a ter ataques de ansiedade, a dor centra-se na área esquerda.
Será que me espera um enfarte? Bem, antes enfarte que cancro. Cancro do esófago em particular, porque aí acho que nem poderia beber. Eu e as minhas demagogias imbecis...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dear Diary...


Quem escreve um diário, deseja impiedosamente que, de facto, o cadeado faça jus à sua função, e que nunca ninguém venha a ler o que lá está escrito? Isso não será desperdiçar tempo e até dotes literários? Eu compreendo que uma pessoa escreva apenas porque lhe faz bem à alma, porque é um desabafo. No entanto, não deixo de pensar que se a pessoa fizesse da escrita privada uma coisa pública, poderia vir a lucrar com isso. Eu estou a ter um ponto de vista muito oportunista e interesseiro, eu sei... O que é incoerente, porque durante anos e anos... desde a minha infância... escrevi tanto nos meus diários que tenho ali uma pilha de cadernos fechados a cadeado. Já perdi as chaves de alguns e tive de rebentar com a fechadura de um ou outro cadeado. Apeteceu-me ler o meu passado, como se fosse uma história, e foi tudo muito perturbador. Não só não me identifico com o que lá está escrito e registado, como até me envergonho de algumas das coisas, mais precisamente na fase da adolescência. Sinto-me quase despersonalizada quando leio o que escrevi outrora.
No entanto, eu cá nunca tive medo de que os meus manuscritos fossem parar a mãos hostis, e possivelmente mercantis. Na altura, eu valorizava o meu querido diário como sendo um papiro a que tivesse de recorrer dia sim, dia sim. Chegou uma altura da minha vida que não senti tanta necessidade de escrever no diário... Não sei porquê!
Acho que eu achava que as pessoas se iriam sentir impressionadas com o que eu escrevia naquela idade. Se bem que o meu maior medo era que a minha mãe pudesse ler os meus escritos, pois era uma pessoa que teria potencial para me julgar, dado ser tão próxima. Por vezes sentimos mais alívio em abrir-nos para um estranho (não no sentido sexual, pelo menos no meu caso) ou para um diário, que para alguém suficientemente próximo, alguém que nos conheça demasiado bem, e vice-versa.
Há momentos em que gosto de saber exactamente em que data aconteceu determinada ocorrência, se tiver tido relevância na minha vida... e lá vou eu folhear os meus velhos diários cheios de gatafunhos.

O que deveria constar no congelador de toda a mulher:


Escusado será dizer que já marcharam duas caixas no espaço de uma semana...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Pense Nisto" moment

O Zé, há dias, disse-me algo em que fiquei a pensar de forma profunda: "Poupar é adiar a despesa.". Não sei o que pensar disto. Mas algo me diz que, se eu seguir esta doutrina, arruinarei o pouco que me resta em tempo recorde!

Gente da minha terra

Julgo que é mais fácil alguém destacar-se numa cidade pequena, ou num vilarejo, muito mais que numa grande metrópole.
No meu caso, isso sempre foi um pau de dois bicos. Os transeuntes locais, provincianos e na sua maioria mentes fechadas, comentam sempre a minha indumentária extravagante. O que nem sempre é bom, só me apetece perguntar-lhes se nunca viram nada do género. E se nunca viram... que se fodam.
E nem vou sequer mencionar o facto da minha reputação nesta cidadezeca andar pelas ruas da amargura...

Bom, mas de quem eu queria falar mesmo era do Bert e da Tina. Se eu tivesse de eleger duas pessoas da minha cidade como as mais atractivas de toda a pólis, estes dois estariam no Top 5.

O Escocês Bert Runcie é daqueles homens, que por mais velho e decrépito que esteja, não acho que passe despercebido. Anda sempre sozinho, acompanhado por um cão pequeno e igualmente caricato. Geralmente vejo-o em esplanadas, a fumar, aparentemente descontraído. O facto de ser um homem alto, solitário e misterioso (mesmo que esse misterioso seja um misterioso com uma aura algo decadente) sempre me chamou a atenção. Não deixa de ser um homem carismático, deve estar na casa dos 50 ou 60, mas acho que tem estilo, e é intrigante também. Foi tatuador durante muitos anos, pelo que consta. Hoje em dia tudo aponta para que ganhe a vida fazendo pequenas negociatas relacionadas com estupefacientes, i.e. dealer.
Uma vez fiz conversa com ele, porque o achava charmoso e parecido com o Bill Nighy, para muita irritação da Cláudia, que está convencida que o homem está enfermo, tendo em conta a sua duvidosa magreza.
Por mais curiosidade que tenha em relação a este homem, não acho que ele se dê a conhecer a ninguém. É essa a ideia que deixa transparecer, e talvez seja também isso que me desencadeie tanto interesse. Sempre que lhe digo olá, sinto-me quase que intimidada. Ou tímida.

Vou agora falar da Sebastiana aka Tina. E acreditem quando vos digo que ela é a lufada de ar fresco do banco Caixa Agrícola. Aquela mulher é quase mítica. Quem dera a muitas de vinte serem como a Tina, que tem quarenta e tal anos. Acho que todas as adolescentes deviam olhar para ela e pensar, de forma promissora: "Um dia quero ser como aquela senhora.".
A Tina é hipnotizante. E não é só por ser loira e ter olhos claros. Aquela mulher exala sensualidade por cada rua que passa. Quando vou ao banco e me cruzo com ela, não consigo ficar indiferente e acho que ninguém consegue realmente ignorá-la. Não é muito alta, mas tem um corpo invejável, e um perfil algo felino. Veste-se muito bem, sabendo realçar o que de melhor há nela. Ninguém resiste a uma mulher envergando a clássica pencil skirt, salto alto, voz de protagonista de um film noir dos anos 40, cabelo apanhado, revelando um bonito pescoço e uma elegância, uma classe... que não consigo testemunhar noutra mulher, dentro das muralhas desta cidade.
Uma vez, houve uma cena que me ficou gravada na memória, por ser tão cinematográfica: a Tina a descer a rua, e o pessoal do banco, e até os farmacêuticos da farmácia ali perto, virem à porta, para vê-la passar. Parecia a Bellucci a andar pela baixa siciliana, no filme Malèna, mas numa versão contemporânea. Não é brincadeira.

Dicção

Alguém percebe o que o Joaquim D'Almeida diz? Não é por mal mas eu sempre tive imensa dificuldade em conseguir descodificar a sua fala imperceptível. E acho que ele já falava assim antes de ir para a América.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Animaizinhos

Eu adoro animais - à excepção das baratas, que é a minha fobia, e como diria a Cláudia, uma praga e não mais que isso - mas jamais seria capaz de envergar uma camisola com gatinhos impressos, ou mesmo dormir numa colcha com desenhos de cães. Há ainda quem resolva tatuar golfinhos no corpo... É foleiro! Piroso! Pronto, já disse.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Silence is golden... NOT

O tilintar das garrafas.
O gotejar da chuva nas persianas.
O som de uma moeda a cair algures em nosso redor.
O leve assobio do roçar dos lençóis.
O purrrr purrrrr ronronante de um felídeo que afagamos.
O riso abafado pela almofada.
O leve rugido do lume brando.
A trovoada a aproximar-se gradualmente.
O quase-silêncio das bolas de sabão.

Estou a regredir tanto que qualquer dia roço o analfabetismo...

Nunca mais li. É com pesar e vergonha que o constato. E quanto menos leio, menos escrevo. É um círculo vicioso. A minha cabeça não consegue focar-se na leitura. Tento entrar na narrativa mas dou por mim absorta, imersa nos meus pensamentos e divagações... Acaba por ser frustrante. Se o meu intelecto estagnado estava, mais estagnado ficou! Até já tenho bloqueios entre fala e pensamento e vice-versa. Bah.

Just say no.

É um prurido permanente, ter de resistir aos saldos. O facto é que todos nós nos sentimos incitados, incentivados, influenciados ou tentados a adquirir um bem - seja um vestido, um electrodoméstico, um acessório erótico - pelo simples facto do seu preço ter baixado 50%. Parece que sentimos a estranha e irracional obrigação de aproveitar! As coisas que me arrependo mais amargamente de ter gasto dinheiro nelas foram aquelas que só comprei por ter achado que o preço compensava. Mas o que é barato, muitas vezes, sai caro. Lamento.

Qual era a vossa personagem favorita d'O Auto da Barca do Inferno?

Eu gostava do Joane O Parvo. Ainda sei algumas deixas de cor. Ah! E adorava o sapateiro, porque era ordinário até dizer chega e isso permitia-me citar alguns dos seus palavrões durante a aula. Sempre fui muito carroceira verbalmente.

"Água Vai!"

No outro dia testemunhei uma mítica e autêntica cena à antiga, de uma roliça mulher a atirar um balde cheio de não sei o quê - água? urina? fluídos de origem duvidosa? - de um terceiro ou quarto andar, em plena baixa da cidade. Foi muito inesperado, dado que o célebre "Água Vai!" nem sequer foi proferido! Qualquer um poderia ter levado com a carga em cima. No entanto, achei aquele método prosaico (diria até arcaico) bastante interessante do ponto de vista histórico. Duvido que alguém veja este tipo de ocorrências numa grande metrópole. Isto não é cá coisa para cosmopolitas. Eu acho imensa piada à coisa, lembro-me logo do meu livro de História e Geografia de Portugal do 5º e 6º ano, em que maravilhosas ilustrações mostravam como era viver na Baixa Idade Média, do ponto de vista da plebe, durante a crise de 1383-1385, em que eu me deixei impressionar pelas ratazanas desenhadas, ratazanas essas que disseminavam a Peste Negra (que eu me pergunto se está efectivamente 100% erradicada). Tudo muito bem ilustrado. Coisa de alta fidelidade. Ratazanas de olhos vermelhos! O famoso "água vai!" pela janela! Pessoas a gritar "Queimem os vossos mortos!". Na altura, aquilo gerou grande impacto em mim.

Pet Decor

De momento, trabalho numa clínica veterinária. Pois é, não sou hacker, nem detective, nem artista de cinema, nem escritora, nem crítica de música nem nada disso que sempre sonhei ser. Mas enfim, isso é outra história.
Anyway, há dias decidi decorar as jaulas onde os animais estão hospitalizados. Enfeitei com bonecada, ursinhos de pelúcia, cores pastel e infantilóides, com potencial lúdico. O meu patrão gostou do resultado, para grande júbilo meu. Ficou tudo super kawaii!
É por estas e por outras que acho que deveria existir uma série sobre o dia-a-dia numa clínica veterinária. Pet's Anatomy?

Isto já vem de longe...

Acho que a minha verdadeira natureza se revelou no momento em que eu, em tenra idade (uns 8 anos) ameacei o meu primo, apontando-lhe a arma do meu pai. Senti um prazer, uma satisfação, por tê-lo assustado, tê-lo feito temer-me, tê-lo feito fugir em pânico... E um fascínio pela posse de arma de fogo que só visto!

Envy Green

Sempre que vou para o trabalho, na minha humilde bicicleta, arriscando-me a ser atropelada nas passadeiras em que nenhuma viatura parece respeitar os sinais de trânsito, passo por uma espécie de boulevard, pejada de vivendas luxuosas, com jardins luxuriantes, cães de guarda de meter respeito, e uma promissora piscina nas traseiras, para não destoar. Costumo espreitar enquanto pedalo. É deprimente. Bastam minutos a mirar aquelas moradias para gerar em mim uma crise existencialista fenomenal! Dou por mim verde, verde como o Grinch, de tanta inveja.
Muitos de vocês se perguntarão porque raio o termo creampie consta neste antro virtual. Pois fiquem a saber que não me ocorreu nada de muito erudito para escolher como título, além de que devo confessar que no contexto pornográfico e/ou sexual, o que eu mais aprecio é um creampie.