Sempre fui petite. E nunca fiz disso complexo. Quer dizer, houve vezes que fiz, porque às vezes olho-me ao espelho e sinto-me na merda. E olhem que eu sou queixosa até mais não. Porém, sei bem que não correspondo aos ideais de beleza contemporâneos e convencionais. Meço aproximadamente 1,63m e peso 47kgs. Irrito-me piamente quando me acusam de não ter bebido leite suficiente na minha infância, justificando não ter crescido mais até atingir um delicioso 1,70m. Ok, é verdade de facto que nunca fui fã de leite *blergh*, mas sempre enfardei (e de que maneira!) queijo e outros lacticínios. Não me venham com merdas. Acho que é tudo uma questão de hereditariedade também. Os genes e o carago.
Também não tenho curvas, não sou voluptuosa, nem particularmente bem feita de corpo, e muito menos atlética. Defendo que se deve cultivar mais o estilo que o corpo. Mas se calhar só digo isto por saber que só levo avante no estilo e não no corpo. Nunca fui adepta de praticar desporto ou qualquer exercício. No máximo, quando acho que tenho uma espécie de pança a emergir, faço uns abdominais de pexisbeque na cama. Ah, e, claro está, o vai-e-vem diário de bicicleta para o trabalho.
Nunca fui de dietas, sempre que tenho apetite enfardo que nem uma brutamontes, tudo o que me apetecer, e se não for esse o caso, é por mero e trágico impedimento por motivos de saúde. Não há nada como hidratos de carbono, sal, açúcar, comida italiana, chop suey, chocolate, panquecas, croissants, picanha na brasa, kebabs com molho de alho, quiche de cogumelos, salmão com batatas fritas com queijo derretido a cavalo, cheesecake, panados, etc, etc... Enfim, as calorias que nunca conto, portanto.
Pois é, nunca fui uma jovem de fazer parar o trânsito (neste contexto de corpo perfeito, claro). E não acho que me deva tentar sobressair ou auto-afirmar pela lei da sobrevalorização corporal. Auto-objectificação sexual foi coisa que nunca me deu na telha. Não tenho grandes ancas. A minha mãe diz que tenho corpo de criança e que quando tinha 15 anos era mais encorpada, no bom sentido. E então? Que tenha.
E já agora, porque raio é suposto as mulheres serem altas? A menos que sejam top models, não vejo motivo para tal. É bonito ver umas pernas longas e tonificadas e claramente que adorava ter umas assim mas não tenho. Queremos sempre o que não temos. Será que algum dia foi considerado sexy ter umas pernas pequenas?! Na China, who knows, onde pés e pénis se querem miniatura...?
Quantidade não é qualidade. E quando digo isto aproveito para referir também que os implantes de silicone não são bem-vindos. E é daquelas coisas, que é pior a emenda que o soneto. Não me importo de ver umas mamas pequenas desde que sejam bonitas, delicadas, apetecíveis. Seios fartos? Mamalhões de parideira? Lolo Ferrari wannabe? No, thanks. Chego a achar deselegante.
Algo me diz que, depois deste parágrafo vou receber comentários género "Invejosa! Quem desdenha quer comprar." mas acho que seriam inválidos, tendo em conta que ninguém - nem mesmo eu própria! - sabe o meu tamanho de soutien.
Conclusão: quanto mais obcecados andarmos pela nossa imagem corporal, menos aproveitamos da vida.