Nunca hei-de entender aquela mania de uma pessoa ir ao café. Mas atenção, não é um café qualquer, refiro-me àqueles cafés de bairro, com luz de cozinha (efeito aterrorizante à la vestiários da H&M), um televisor a passar a bola, frequentadores exclusivamente residentes nas redondezas, e bastante confiança entre cliente e empregado. Não consigo compreender a magia que é estar num lugar tão entediante, enfadonho e, diga-se de passagem, nada aconchegante. E se é para ir lá beber uma bica, mais vale fazer o café em casa. Mas qual quê, as pessoas vão para lá depois do jantar e são capazes de levar horas ali, a falar da vida dos outros, a beber uma imperial, ou então no clássico "galão & torrada" (outra coisa que mais vale fazer em casa).
Nesse género de estabelecimento, nem sequer há bolos decentes (ex: cheesecake de framboesa, tarte de maçã com canela, brigadeiro de chocolate branco, etc., podia continuar mas fiquemos por aqui antes que eu comece a salivar). Há os "bolos de café", que são bolos de arroz, queques secos, guardanapos empastados de gordura e algum doce regional já ressequido. Devem estar-me a achar uma snob do caralho, mas a verdade é que eu tenho razão quando digo que a reputação reles e rasca destes sítios faz jus ao que vende.
Alguns homens vão lá passar o serão pelo convívio, companhia e camaradagem, ver a bola em conjunto. Eu até compreendo, coitados. Basta um sítio ser barato qb, e toda a gente que se conhece lá ir, que é visto como razão para ser frequentado.
O maior suplício é mesmo ter de levar ali com as lâmpadas trémulas a ferir-nos a vista, e ainda ter de ter os ouvidos atacados pelos agudos da cafetaria. Mas pronto, se calhar sou só eu que sou picuinhas.
Só encontro uma justificação em frequentar o café do bairro: terem o melhor medronho caseiro, ou outra qualquer moonshine agreste o suficiente para se ficar bêbado por uma mínima quantia, num curto espaço de tempo.
Ah, outra coisa: como não há música, estamos condenados a ouvir a conversa alheia, e que a nossa conversa seja escutada com audibilidade sucifiente. Incomodativo.
Alguns homens vão lá passar o serão pelo convívio, companhia e camaradagem, ver a bola em conjunto. Eu até compreendo, coitados. Basta um sítio ser barato qb, e toda a gente que se conhece lá ir, que é visto como razão para ser frequentado.
O maior suplício é mesmo ter de levar ali com as lâmpadas trémulas a ferir-nos a vista, e ainda ter de ter os ouvidos atacados pelos agudos da cafetaria. Mas pronto, se calhar sou só eu que sou picuinhas.
Só encontro uma justificação em frequentar o café do bairro: terem o melhor medronho caseiro, ou outra qualquer moonshine agreste o suficiente para se ficar bêbado por uma mínima quantia, num curto espaço de tempo.
Ah, outra coisa: como não há música, estamos condenados a ouvir a conversa alheia, e que a nossa conversa seja escutada com audibilidade sucifiente. Incomodativo.
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