quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Água Vai!"

No outro dia testemunhei uma mítica e autêntica cena à antiga, de uma roliça mulher a atirar um balde cheio de não sei o quê - água? urina? fluídos de origem duvidosa? - de um terceiro ou quarto andar, em plena baixa da cidade. Foi muito inesperado, dado que o célebre "Água Vai!" nem sequer foi proferido! Qualquer um poderia ter levado com a carga em cima. No entanto, achei aquele método prosaico (diria até arcaico) bastante interessante do ponto de vista histórico. Duvido que alguém veja este tipo de ocorrências numa grande metrópole. Isto não é cá coisa para cosmopolitas. Eu acho imensa piada à coisa, lembro-me logo do meu livro de História e Geografia de Portugal do 5º e 6º ano, em que maravilhosas ilustrações mostravam como era viver na Baixa Idade Média, do ponto de vista da plebe, durante a crise de 1383-1385, em que eu me deixei impressionar pelas ratazanas desenhadas, ratazanas essas que disseminavam a Peste Negra (que eu me pergunto se está efectivamente 100% erradicada). Tudo muito bem ilustrado. Coisa de alta fidelidade. Ratazanas de olhos vermelhos! O famoso "água vai!" pela janela! Pessoas a gritar "Queimem os vossos mortos!". Na altura, aquilo gerou grande impacto em mim.

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