sábado, 4 de maio de 2013

Desigualdade

Irrita-me tanto mas tanto assistir à imensa e abissal desigualdade entre os espécimes da actual geração jovem. Putos quase graúdos que nunca precisaram de trabalhar para estudar, nem de trabalhar para assegurar a subsistência.

Uns poupam tostões ao longo do mês para que ainda sobre. Usam o mesmo guardanapo do almoço ao lanche e ao jantar. Apagam a luz das divisões vazias para reduzir o gasto. Levam meses a laborar para apenas sobreviver, e nem sempre viver. Comem, dormem, trabalham. Mas viver propriamente, não vivem. O dinheiro ao fim do mês chega como uma lufada de ar fresco em tons de alívio tranquilizante. Depois de pagarem as contas, nem sempre há capital para jantar fora, comprar uma prenda para o ente querido aniversariante ou investir numa viatura própria.

Outros levam o ano inteiro no dolce fare niente. Não precisam de trabalhar. Quando lhes pergunto como moraram sozinhos tanto tempo sem trabalhar e sem recorrer a negociatas obscuras, respondem-me que os pais "deram uma ajudinha". Anos a fio a ir ao cinema todas as semanas, comer fora, pagar gasolina, roupa, portáteis, máquinas fotográficas, viagens... Sem que tenham algum dia tido um emprego. Um trabalho. Quanto mais não fosse uma biscate. Ou RP na discoteca de um amigo.

O que mais me choca nisto é a cegueira de quem tanto gasta mas nunca se esforça para obter o financiamento. Isto é, são capazes de levar a convidar pessoal amigo e/ou conhecido, imensas vezes, infinitas vezes, a jantar fora, almoçar fora, lanchar fora, esquecendo-se (convenientemente?) do ordenado mínimo que assola a realidade de quem querem levar a comer fora. E hoje em dia não é como antigamente, em que quem convidava, pagava.

Portanto, é óbvio que, cada vez mais, jovens endinheirados convivem com jovens endinheirados, sendo que uma coexistência frequente com jovens pelintras terá as suas consequências - ou o jovem pelintra vai à falência e se endivida para poder acompanhar a odisseia de gastos do jovem endinheirado, ou o jovem endinheirado desce a uma realidade paralela onde sucumbe a uma degradação moral e decadência de estatuto.

Pois é, a eterna desigualdade entre classes sociais ainda por cá anda, e cada vez mais contrastante. As diferenças sobressaem mais na faixa etária jovem e quem passa por invejoso será sempre quem está na mó de baixo.

9 comentários:

  1. Não tenho problemas com o dinheiro dos outros, mas choca-me este egoísmo. Deus me livre de ter os meus pais a sustentar-me os mimos.

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    1. Eu tenho problemas mais com a desigualdade entre as oportunidades em si.

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  2. Irritar com a desigualdade?!! ...A desigualdade existirá sempre; pode é ser atenuada, mas nunca acabará. Por isso, cada um que tente safar-se, aguentar-se à bronca e ir à luta. E sobretudo deixar de incomodar-se com aqueles que nada fazem . Pensar em si e na sua própria vida; os outros não interessam para nada.

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  3. Acho que estás a exagerar... haverá sempre malta que pelo palminho de cara lá se mete uns furos acima da sua classe social, pelo menos enquanto está nos sub-30, que depois a concorrência é muito feroz para a malta se manter à tona ;) aqui em Londres a maior parte dos portugueses vive mesmo à pelintra/coitadinho e não dá para convidar ninguém para nada de jeito sem ser quem convida a pagar. Toda a gente tem de mandar dinheiro para a Tuga pátria porque há sempre uns pais ou um filho que é preciso manter e claro, não fica muito para sequer uma ida ao cinema e um chinês.

    Agora acho perfeitamente normal que as pessoas que ganham o mesmo e teem disponibilidades semelhantes acabem por se darem melhor. Quer dizer, ia-me dar com alguém a quem ia ter de pagar SEMPRE os bilhetes para os concertos e SEMPRE os quartos de hotéis quando fizessemos férias? Não me importo de quando em vez financiar um bilhete a uma pessoa amiga, mas uma pessoa claramente de uma classe social inferior simplesmente teria sempre de andar a "tomar cafés" com essa pessoa sem nunca poder ir a lado nenhum porque "estámos em crise". Era boring....

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    1. De facto. E depois ainda te perguntarias se a pessoa não andaria contigo só por interesse!

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    2. Até pq pra cravas patológicos já me bastam os meus irmãos ; )

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  4. Faz-me espécie como é que alguém consegue andar anos e anos sem fazer nada, sem contribuir, sem sequer tentar fazer alguma coisa. Acham que a vida cai de bandeja no colo.

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